Lisboa concentra 29% do mercado nacional do retalho imobiliário

O centro da capital tem, de momento, apenas 5% de espaços disponíveis

O Grupo Gesvalt, empresa de referência no setor da consultoria, avaliação e serviços técnicos, em colaboração com a aRetail, líder em consultoria imobiliária e abertura de espaços comerciais, apresenta o seu mais recente relatório sobre o setor imobiliário de retalho, no qual se destaca que 29 % do setor se concentra em Lisboa, o que representa um volume de negócios de 20 mil milhões de euros. Com uma vasta experiência no mercado imobiliário português, centrada em operadores em expansão, investidores, gestores de património e fundos de investimento, a empresa salienta ainda que a moda e a restauração, impulsionadas pelo boom do turismo no país, são os setores que mais investem em Portugal.

Com 15,9 milhões de dormidas, a capital lidera o turismo português concentrando 19,5% de hóspedes. Em termos de consumo, estes dados revelam uma concentração na zona da Grande Lisboa de 51,3% de compras, contra toda a zona Norte com 19,1%. Ao mesmo tempo, esta tendência leva a que as taxas de ocupação dos espaços imobiliários em Lisboa estejam praticamente lotadas, com Lisboa a apresentar apenas 5% de disponibilidade de imóveis.

Lisboa: a liderança na faturação e a atividade high street e de luxo

A capital continua a ser o mais importante mercado retalhista do país, com uma faturação de 20 mil milhões de euros em 2025, correspondendo a 29% do total nacional. Valores que ficam a dever-se ao aumento do investimento das marcas de luxo nas principais artérias de Lisboa, que acompanham o aumento do turismo e a reabilitação constante das zonas mais centrais e tendência, como o eixo Baixa-Chiado, Rossio-Restauradores-Avenida da Liberdade, e Príncipe Real-Rato. Com a restauração (47%), a moda (26%) e a seção de luxo a lidarem a procura pelos principais espaços comerciais da zona, lado-a-lado com o comércio tradicional e as mais antigas lojas de Lisboa. Esta procura corresponde à tendência que já se observa na zona central da capital, onde os espaços são, atualmente, ocupados por 65% moda (onde se inclui 20% de espaços ocupados por joalharia), os serviços (9%) e outras secções (13%) a lidarem o top de sectores implantados na baixa de Lisboa. A restauração (6%) e os cosméticos (2%) completam o top, sendo que há apenas 5% de disponibilidade de espaços.

Caracterizada pelo comércio direto à rua, e reduzidas zonas de centro comercial, o eixo principal do centro de Lisboa sofre, contudo, com uma baixa rotação de espaços e escassez de novos comércios, o que torna a pressão imobiliária maior, aumentando as rendas. De um modo geral, os valores de rendas variam entre os 65€ e os 240€, sendo que os espaços com mais de mil metros quadrados têm as rendas mais baicas (65€ a 75€/m2) e os espaços de menor tamanho (abaixo dos 100 m2) a oscilarem entre os 220€ e os 240€ por metro quadrado.

O investimento apresenta, também, um Yield na zona mais central da Avenida da Liberdade entre os 4,25% e os 5%, sendo esta a rua com maior retorno de investimento. Ainda que continue a ser a zona do Chiado que se posiciona como a mais prestigiada de Lisboa, e onde se misturam as marcas premium com a moda e a cultura dos teatros como o São Luiz ou Trindade. A acompanhar esta tendência e proximidade geográfica, o Príncipe Real continua a ser uma das áreas mais trendy da capital, com um público-alvo mais jovem, o que leva as marcas internacionais a procurarem a zona.

Por seu turno, e com grande fluxo turístico, o eixo Avenida da Liberdade – Rossio/Restauradores continuam a ser a principal avenida do luxo em Portugal e com maior impacto turístico. É também a zona onde mais claramente se observa uma maior procura por espaços face à oferta. Todas estas tendências completamente alimentadas pelo turismo e o aumento de estrangeiros a viver no centro da capital.

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